LIVROS PUBLICADOS EM 2026
Uma travessia geográfica transforma-se numa cartografia interior.
Entre arquitetura sagrada, paisagens do Himalaia e gestos cotidianos.. o alimento, o silêncio, o encontro, Tainá percorre um território onde memória, corpo e ancestralidade se tornam matéria de linguagem. Do Brasil ao Nepal, a viagem desenha um eixo entre floresta e montanha, origem e revelação. O Nepal não surge como destino, mas como território de consciência. Tainá não é uma pessoa, mas um corpo de linguagem, a figura através da qual experiência, memória e imaginação se tornam narrativa.
Neste percurso, fotografia, escrita e experiência vivida operam como camadas de uma mesma investigação: a reintegração do feminino na meia-idade, a passagem do nome herdado ao nome escolhido, o nascimento de Tara como consciência e não como personagem.
Quando os Ventos Mudam é um objeto de fronteira entre relato, ensaio visual e narrativa de transformação. Um trabalho sobre pertencimento, escuta e retorno… entre Amazônia e Himalaia, entre a mulher que sobrevive e a que se nomeia.
É neste seixo rolado, a Terra, à beira do oceano do Universo, que se conhece, para já, a vida. Por essa razão, para muitos, o seixo e a vida ganham dimensão divina. Seja como for, os poemas deste livro exaltam-na, no seu canto, mesmo que, por vezes, se ouçam os sons da revolta contra o que atenta a sua dignidade, beleza ou existência.
Mas o melhor é ler.
A Terra chama.
Escuto.
Num arco de contos entrelaçados, a narrativa percorre lugares argentinos encostadas à Cordilheira dos Andes, onde a vastidão da paisagem rural molda destinos. As histórias cruzam-se como planos de um mesmo filme e as personagens afastam-se e regressam, carregando memórias comuns.A infância e a adolescência surgem como temas fundadores — feitos de jogos e em permanente contraste com a cidade, presença distante e quase mítica, ora promessa de fuga, ora ameaça de desenraizamento. A amizade e o amor nascem em gestos mínimos, testados pela dureza do quotidiano, pelo alcoolismo que corrói a racionalidade e pela herança familiar que pesa como a montanha no horizonte.
«Um dos períodos mais fecundos e vivos da nossa democracia foi o do ano de 2007 quando, depois de inúmeros debates, de alguma violência verbal e do mais torpe reacionarismo, a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez foi finalmente aprovada na A R.
A Mulher seria, a partir daí, dona do seu corpo e do seu destino, não fora os preconceitos, as questões religiosas, os hábitos ancestrais, a colocarem pedras nesse libertário percurso.
Este romance de Conceição Oliveira, Murmúrios da Serra, uma autora que tem percorrido na sua escrita, com virtuosismo e coragem narrativa, os territórios mais árduos da condição feminina (sem os alardes bacocos do Me Too), plana com agudeza analítica, numa escrita sereníssima e envolvente, recorrendo ao léxico popular e aos adágios, sobre a questão civilizacional do aborto clandestino, que persiste no país profundo, apesar da lei. É esse magoado olhar da autora, face a uma realidade que julgávamos ultrapassada, que faz o corpo central deste romance, colocando o modo substantivo do discurso onde ele se torna exemplar: na claridade lúcida como aborda a situação da Mulher rural, face às opressões do meio, à envolvência familiar e aos limites culturais e antropológicos da ruralidade.»
Domingos Lobo
«Murmúrios do amor e da guerra, da enfermidade da vida, que se desagrega com o tempo, e da morte representam a exploração de uma nova linguagem pela artista que exprime novas e antigas desarmonias de um tempo passado, presente e futuro próximo, alternando com a referência a tópicos que remetem para espaços e tempos físicos e psicológicos eufóricos, intensificando emoções e sensações no sentido de pôr termo a um vazio existencial que, por vezes, acomete o ser humano.»
Do Prefácio de Rosário Pedroso
A Travessia das Sombras retrata uma escrita livre, imagética e metafórica, onde a Natureza e os elementos, e a riqueza do vocabulário, a personificação e os paradoxos estilísticos contribuem para criar uma atmosfera misteriosa e profunda, convidando o leitor a uma reflexão sobre a luz, a sombra e a transformação interior de um poeta "que fala línguas antigas/um verbo selvagem/que se quer parir em semente/para incendiar o vento por dentro".
Como o Céu à Espera de Trovoada reúne uma poesia intensa, feita de escuta atenta do mundo e de uma rara capacidade de o transformar em linguagem viva. Nela encontramos criatividade, sentimento e uma força que não se impõe, mas se revela — como o céu carregado que anuncia, silenciosamente, a tempestade.
A autora observa com lucidez tudo o que a vida abrange: os gestos pequenos, as inquietações profundas, as contradições do tempo presente. E é nesse olhar, simultaneamente sensível e crítico, que a poesia ganha corpo e ressonância.
Há nestes poemas uma tensão latente, uma espécie de energia acumulada — como se cada verso fosse um prenúncio. E, quando finalmente se manifesta, essa trovoada não destrói: ilumina. Atinge-nos, sim, mas para nos despertar.













